A PINTURA EM PÂNICO

 

Exposição que resgatou a memória da obra A pintura em pânico, publicada por Jorge de Lima em 1943, e que garantiu ao artista o lugar de pioneiro na produção de fotomontagens em estilo moderno (surrealista) no Brasil. Caixa Cultural, Galeria 1. Rio de Janeiro, de 16 de março a 2 de maio de 2010.

 

http://www.apinturaempanico.com

A PINTURA EM PÂNICO

 

A Pintura em Pânico – fotomontagens de Jorge de Lima é uma exposição (com produção de catálogo) resultante de uma pesquisa realizada por Simone Rodrigues, que resgatou a memória de uma obra excepcional da vanguarda modernista brasileira. Este projeto tornou finalmente acessível ao grande público as fotomontagens feitas por Jorge de Lima entre os anos 1930-40. Jorge de Lima foi o primeiro artista brasileiro a produzir uma obra consistente nesse gênero de arte no Brasil. Seu trabalho foi publicado no livro intitulado “A Pintura em Pânico”, em 1943, que dá nome à exposição. Jorge de Lima é um artista amplamente consagrado como escritor modernista, tanto em prosa, quanto em poesia. No entanto, sua produção plástica é pouco conhecida e inclui, além das fotomontagens, desenhos e pinturas.

 

A exposição exibiu reproduções das 41 fotomontagens que fizeram parte do livro, originalmente publicado em 1943 e jamais reeditado. Tendo em vista que a maior parte dos originais se perdeu, todas as imagens passaram por um cuidadoso trabalho de restauração e ampliação. As imagens são acompanhadas de legendas, que ao contrário de pretender explicar ou descrever, compõem uma unidade poética texto-visual para cada trabalho. O conjunto de imagens e textos forma uma obra de narrativa não-linear que se identifica com a estética surrealista.

 

A exposição resgatou também os textos escritos por Mário de Andrade sobre a produção de fotomontagens de Jorge de Lima (O Estado de S. Paulo, 1939), e por Murilo Mendes (prefácio de A Pintura em Pânico, 1943).

 

Da única edição de “A Pintura em Pânico”, que teve apenas 250 exemplares, há poucos remanescentes em acervos institucionais, tendo-se tornado uma obra raríssima, que nunca havia sido reeditada. Antes dessa exposição, nas poucas vezes em que era mencionada por estudiosos, era sempre no sentido de ressaltar seu caráter singular e de lamentar que houvesse caído em total esquecimento. O projeto “A Pintura em Pânico” transformou essa condição, dando visibilidade a uma obra de criatividade ímpar e preenchendo uma verdadeira lacuna até então existente em nossa história da arte.

 

Em um monitor instalado na galeria, foram exibidos vídeos sobre a vida e a obra de Jorge de Lima, entre eles, um vídeo inédito, dirigido por Simone Rodrigues.

 

Em espaço destacado da galeria, foi montado um ateliê/oficina de fotomontagens aberto ao público visitante, de todas as idades, que foi convidado a realizar sua própria experiência através dos recursos de recorte e colagem. Os trabalhos dos participantes foram digitalizados e exibidos em loop num segundo monitor na galeria.

 

A exposição contou com mais de 3.200 assinaturas no livro de visitantes, sendo estimado um público efetivo ainda maior. O lançamento do catálogo ocorrido no dia 29 de abril de 2010 também foi um sucesso de público. Foram distribuídos mais de 200 catálogos gratuitamente apenas neste dia. No mesmo evento, realizou-se a mesa-redonda com a participação da curadora Simone Rodrigues e dos especialistas Angela Magalhães, curadora de fotografia, e do Professor José Niraldo de Farias, convidado vindo de Alagoas para participação na mesa. Um público de cerca de 60 pessoas lotou a Sala Margot e alguns interessados não conseguiram entrar, em virtude da lotação da sala. As oficinas realizadas com crianças e adolescentes de escolas públicas, orientadas pela curadora, também receberam uma ótima acolhida tanto por parte dos alunos quanto por parte dos professores, que, a partir dessa experiência, planejavam realizar outras atividades com desdobramentos para as matérias de arte e literatura.

 

O retorno de mídia espontânea, estimado em R$ 715.521,87, foi mais de 5 vezes maior que o valor investido pelo patrocinador.

 

 

 

 

 

 

 

A pintura em pânico. Folder aberto.