Parque Estadual de Vila Velha Texto escrito pelo crítico Mássimo Mussini para o catálogo da exposição realizada no FotoFestival de Montecchio Emilia, Itália. Se o objeto da pesquisa fotográfica de Simone Rodrigues é um parque natural que teve a sua singular morfologia modelada pela milenar erosão dos agentes naturais, o seu objetivo principal não é tanto o de dar-nos uma descrição turística e nem mesmo analisá-lo com o olho rigoroso do geógrafo ou do geólogo, mas de tentar uma leitura interiorizada da realidade. Em primeiro lugar, a técnica em preto e branco por ela escolhida, que, diferentemente da colorida, é hoje considerada como sendo mais indicada ao subjetivismo e à interpretação emotiva do que à descrição documentária ou à narrativa da realidade. A confirmação desta escolha está também no uso da escritura fotográfica que privilegia as tomadas em contraluz com decisivos contrastes, cortes diretos que extrapolam particularidades evocativas de formas anatômicas e iluminações rasantes. Particular importância, enfim, assume o ritmo gerado pela seqüência de imagens com o alternar-se de detalhes em primeiro plano e de planos gerais, cada qual escolhido e unido para guiar a leitura do observador e impedir-lhe uma excessiva liberdade de interpretação. Melhor, para torná-lo diretamente partícipe do conjunto de sensações e de sugestões que o aspecto natural dos lugares suscitou na autora. Poderia-se afirmar que a sua leitura da paisagem é guiada pelo mesmo mecanismo de associação de idéias magistralmente adotado por Proust no seu ?Em Busca do Tempo Perdido?, pois, cada signo natural remete a outro signo, não apenas nas passagens das visões gerais às particulares, mas, sobretudo, pelo sábio desfrute da relação interno/externo, que as características geológicas dos lugares consentem. Fotografar um particular através da janela oferecida por uma fenda na rocha, não lhe permite somente obter um enquadramento sugestivo, mas utilizar a relação luz/escuridão, traduzindo-a, no plano formal, pela dramaticidade branco/negro e, no plano emotivo, pela passagem do escuro do inconsciente à luz da consciência. A exploração do Parque de Vila Velha como uma viagem à procura da própria identidade, quase o penetrar num sonho proporcional ao de ?Alice no País das Maravilhas?, onde, na tentativa de orientar-se num mundo advertido com surreal, a autora se encontra continuamente no limiar da realidade (a paisagem fotografada) e da surrealidade (a paisagem transformada pela utilização do filme infravermelho, pela presença dos reflexos solares na objetiva, pela misteriosa aparição de um pássaro e de uma personagem feminina). A perda da própria identidade e o seu reencontro numa dimensão diferente conduz, enfim, ao auto-retrato como sombra projetada sobre a rocha. A linha fotográfica seguida por Simone Rodrigues se revela através destas quatro fotografias e a realidade natural dentro da qual ela conduziu a sua busca mostra-se somente como o instrumento utilizado para liberar a própria sensibilidade. Pesquisa-histórica e curadoria Sócia-diretora Professora dos cursos Concepção em Fotografia e Foto-Matriz contato simone.fotografia@gmail.com simone@naueditora.com.br Nau Editora Escola de Artes Visuais do Parque Lage A Pintura em Pânico fotomontagens de Jorge de Lima exposição + catálogo + vídeo Simone Rodrigues Fotógrafa, artista e pesquisadora. Iniciei minha formação em artes visuais no final dos anos 1980, no Photoworks Westminster (antigo North Paddington Community Darkroom), em Londres. Tenho graduação em História (UFRJ) e sou Mestre em História Social da Cultura (PUC-Rio). Atualmente, sou professora da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Já fiz duas exposições individuais e participei de inúmeras coletivas. Recentemente, realizei a curadoria da exposição ?A Pintura em Pânico - fotomontagens de Jorge de Lima?, na Caixa Cultural do Rio de Janeiro (2010) e da Exposição Foto-Matriz: Síntese #1, na Galeria da EAV (2011). Fiz parte do coletivo que fundou e dirigiu a Produtora Foto in Cena (1994-1998) e o Ateliê da Imagem Espaço Cultural (1998-2007). Desde 2008, sou sócia-diretora da NAU Editora e Coordenadora dos Encontros de Inclusão Visual do FOTO-Rio ? Festival Internacional de Fotografia do Rio de Janeiro. Fantasma Autorretrato em adesivo sobre vidro 200 x 50 cm 2011 Fragmentos de autorretrato Montagem com fotogramas analógicios 150 x 150 cm 2010 Body scan Fotomontagem com imagens digitalizadas de parte do corpo 150 x 180 cm 2010 Fotogrametria digital Montagem com folhas de papel fotográfico fotogramadas e digitalizadas Impressão em papel de algodão 150 x 100 cm 2009 After Pierre & Gilles Vidro, gel e películas de polaroid dimensões variáveis 2003 Cruz Cármica 2 Assemblagem com madeira, fotograma e objetos 50 x 70 cm 2004 Disco Rígido da Memória HD e fotografias 18 x 13 x 1,8 cm 2007 Meta Relicário Assemblagem 37 x 19 x 10 cm 2005 Anatomia comparada dos anjos Assemblagem 16 x 16 x 10 cm 2007 Husbandit and Wife Assemblagem com caixa de madeira, fotografia e objetos 30 x 20 x 15 cm 2007 Kit de Auto-análise madeira, vidro, lupa e transfer de filme instantâneo 25 x 16 x 30 cm 2001 Seccionamento Precoce Autorretrato em lâminas de vidro com películas de polaroid. Díptico: par de cubas sobre base giratória iluminada 33x33x22 cm 2003 Lenço documento Tecido, linha e película de filme instantâneo 45 x 45 cm 2003 Da impossibilidade do encontro Díptico de vidro, água e transfer de filme instantâneo 18 x 9 x 5 cm 2003 Célula Mater Lupa articulada com lâminas de vidro e tranfer de filme polaroid 16 x 18 x 12 cm 2003 Aquário da Memória 30 x 22 x 15 cm vidro, água, bomba de ar, pedra e transfer de filme instantâneo 2003 Kit de auto-análise madeira, vidro, lupa e transfer de filme instantâneo 25 x 16 x 30 cm 2001 Estúdio Clássico Home Híbridos Atividades arte_fotografia Simone Rodrigues
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